Sentimentos d'alma !...
"Olá, como vai...
eu vou indo e você
tudo bem..."
A saudação não lhe saiu dos lábios,seria inaudível
a ele,mesmo porque;ali naquele instante,ela sentiu
com o amargo da boca, a voz que lhe sumia!
Não no outro carro como na canção..
Mas estava lá,na esquina do outro lado
da avenida...ele; parado.
E via lhe,a ela do lado de cá,estacionada,estacionado, estacionados
estavam ambos.
Os carros na avenida, num frenesi iam e vinham,sem se lhes aperceber
da paralizia dela,da paralizia dele...
Ela, não o via nitidamente,lagrimas já lhe escorriam no rosto!
Mas sua alma já vira nos olhos dele,o brilho que iluminara
o rosto num sorriso meio a um riso frágil!
Quase um tremor apenas...
A alma,a dela,desrespeitando limites ofegante e paralizada,
se colocou alí, bem ao lado dele...e lhe olhava adorando!
O corpo,dela,permanecia lá; parada sem sua alma traídora.
Se fora, para adorar de perto aquele moço!
Aquele moço, já não tão moço assim...
Mas era, o mesmo moço que sua alma reconheceria em um dia qualquer.
Ainda aquele dia pareceu-lhe tão igual; àquele dia a lhe corroer alma,
entranhas e coração!
O frio,não sabia de onde vinha,mas doí-lhe o corpo,não a alma,essa,
já lhe traíra,e não lhe retornara ao corpo.
...e "se",eram tantos os "se"...que não conseguia fixar no pensamento,
na possibilidade de algum deles.
Como na canção,fechou-se o sinal,ela,
arrancou-se dali,deixou a inércia,e a alma,
voltou a lhe habitar o corpo... que agora,andante caminha.
Caminha em direção contrária a que estaria "seu"; o moço.
Era o que ele faria,se por certo lhe avistara também.
Se ele ficou a observa-la, não soube.
Como quem corre sem rumo,não virou-se para ver.
Mas ele, o moço dela,continuara lá,no mesmo lugar,
como em um outro dia,tempos atras...
covarde como dantes,ele não lhe ouvira o seu próprio coração!
E deixou-a,ir-se.
Fiacara ali igualmente agora,
novamente,deixou que ela se fosse dele.
Mas viu,como dantes,ela se fora...
sem dar-lhe tempo de debruçar sua alma a seus pés;
aos pés dela,ficara covardemente.
E se foram os dois,
se foram novamente na vida,
desvairadamente,um cada qual para seu canto,
chorar um tanto,num canto seu conto dividido...
E estavam novamente,
outra vez,
horrendamente,
horrivelmente,
irremediavemente
sós !

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