Tanto sol!...
Pra que?
pra nos verter a todos,
em calda salgada e quente, a
banhar-nos o corpo?
Pelo astro rei, não nutro,
sequer um "pingo de chuva"
e emcamtamento!
Sou- lhe declaradamente
inimiga fiel!
Não me delicio com ele.
Prefiro-o sempre,
bem longe de mim.
Dele não gosto mesmo da sombra,
que me faz aquietar ali,e sentir dele;
a luminosidade escandalosa.
Gosto da sombra fresca,
ao cair da tarde, quando já
se despedindo,suavisa os estragos
dos caminhos que o sol
traça em rostos cansados,
marcados de suor.
Sol tem cheiro de impiedade,
desconsola qualquer poça d'agua
que subversivadamente,aparece
do nem sei o que nem sei pra que;
fazendo-a afogar-se em si mesma
num virar de olhos.
Nem quando de manhã, dou com ele
escancarado em minha janela,
desaforadamente em vão o despeço.
Ele permanece,e
quando ao cair da tarde,
já cumprido seu inglório papel,
busca aqui acolá uma fresta,
onde se manifestar...
teimoso ele tenta em vão,
não ver a noite chegar...
e ainda assim, mesmo à noite,
só bem tarde,muito tarde,
se deixa de sentir o bafo de sua
indesejosa majestade,o calor.
a depender de mim,vira-se lua,
deixa de ser sol se subverte
em lua!
Há quem goste!...
eu; detesto o sol.

...escaldante!
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