Retalhos...

Não faltou-me coragem;
à altura de minha mão,
num velho móvel de família,
um velho baú...de cartas.
Abri-lo não me foi difícil...
difícil foi não deixar a emoção
escorrer por meus olhos.
Tudo me parecia mais,
uma velha colcha de  retalhos,
cada carta,cada foto...
assentei-me,para desfrutar mais confortavelmente;
das emoções que por certo viriam dali.
Com bastante devagar,para que a poeira do tempo
não me ofuscasse os olhos...abri-as,
reconhecia-me em cada sêlo,
de cada cidade de onde vinham...
cada pedacinho de papel, tinha como que no retalho
uma cor do tempo a que se referiam...
lindas juras de amor,
conversas entre amores distantes.
Me vi ali a perguntar-me,
sobrevivera o amor a que se reveriam?
Ou tão somente restaram as cartas...
o tempo que ali fiquei,não sei...
sei que já o sol havia se posto,
e o quarto na penumbra,sem luz artificial,
não me permitiu continuar a viver aquela história.
Mas voltaria ali um dia pra revive-las.
Com o cuidado que se tem com a fragilidade;
dobrei-as; sobre as marcas do tempo que nelas ficaram.
Minha alma ficou inquieta,
queria sorver com os olhos,
a historia daquele amor ali descrito.
Indiscreto,meu coração sussurrou-me algo.
Dei-me lhe de ombros e fui,
fui-me cuidar do amor que na sala
me esperava pra de mãos dadas,
irmos a passear pelas ruas,
iluminadas por lampiões...
mas não me saiu do pensamento
os amantes daquelas cartas...
de quem eram...
quem as guardava assim;
tão descuidadosamente,
bobagens,
minha alma gritou em mim...
e fui viver,
um amor que não das cartas.
Um amor também,
com longa história.




um amor...
um amor...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

em duas...

de jeito...